
*imagem: Dapino-Colada
Nunca me esqueço o quanto era fácil me apaixonar. Era incrível, aos 11-12, exatamente aos 11, eu tinha uma paixão por mês. E chorava em casa e inclusive tinha uma música romântica (da novela das oito) pra dedicar a cada um dos menininhos eleitos. Apesar de muito bonito, é claro que nunca deu certo, nem namorei de mãozinhas dados com nenhum deles nessa idade. Eu já estava na fase do patinho feio e tinha crises diárias com o meu cabelo (não existia quase nenhum produto decente pra cabelos cacheados, juro! E minha habilidade com o secador era zero).
O tempo foi passando, eu gostando a cada mês de um rapazote diferente e, inclusive, dividindo com as amigas. Na época era tudo bem simples de resolver. Tudo era na base do “que vença a melhor”, mas como ninguém saía se pegando por aí (ainda), as amizades nunca corriam risco algum. Mas, bem, não vou falar de amizade. Vou falar do quanto era fácil gostar de alguém, de nutrir esse sentimento sem ser correspondida, de sofrer, de sonhar acordada, de planejar o casamento e os filhos com um carinha que só pensava em futebol…
A fase de pensar no casamento passou rápido. Depois dos 13 isso virou assunto que pra mim é pra pensar só quase aos 30 e, lógico, passei a pensar em outras coisas. Agora, já pensou como a idade dificulta o fato de se envolver, se envolver de verdade, com o coração e não com o corpo, com alguém? Talvez “idade” não seja nem a palavra certa, mas sim “maturidade”. Enfim, podem dizer que aquilo era só uma paixonite infantil, mas juro que nunca mais fiquei tão perdidamente “apaixonadinha” por alguém quanto naquela época e a verdade é que era bom. Era gostoso.
Hoje você olha, você tenta, você até fica. Mas, se não é correspondido, mais cedo ou mais tarde, desencana. Isso, obviamente, se você tiver amor próprio. Se não tiver, provavelmente você ficará depressivo e sairá de preto e jogará toda a culpa pra si mesmo, tipo “por que sempre comigo?”, ou jogará toda a culpa para o outro “mas também ele não presta!”. O importante é que você vai deixar de ficar viajando na maionese pensando no meliante que só pensa em pegar geral. E, no fim, não, não vai ser gostoso, e pode acabar até apagando tudo o que foi vivido de bom, se é que algo foi bom: “já não me lembro mesmo! Fiz questão de esquecer!”.
O mesmo serve para os homens. Quantas vezes vocês, rapazinhos, não pensam um bilhão de vezes antes de assumir uma garota? São raras as vezes em que esse processo é rápido. E, se for, desconfiem: homens impulsivos podem se arrepender. Afinal, já ouviu falar daquela história típica? “Ele terminou recentemente, mas já está ótimo! Começamos a namorar semana passada!”. E dali um mês, em prantos: “acredita que ele voltou com a ex, o filhodaputa?!”.
É claro que é natural pensarmos e analisarmos muito mais hoje, até porque espera-se que com a idade tenhamos maturidade e bagagem pra escolher, embora para algumas pessoas isso pareça impossível (cof-cof). Mas enfim, eu, pessoalmente, sinto falta dessa sensação deliciosa da “paixonite” pura e simples.
Acho um pouco triste essa coisa “madura” de se decepcionar rápido e passar pra frente, “porque fulano(a) não vale uma paixonite”. Essa auto-defesa deveria ser boa, mas às vezes ver seu amor-próprio funcionando a todo vapor e descartanto possibilidades a rodo pode ser um tanto quanto maçante. Mas, oras, é seu amor-próprio!
Quem será louco o suficiente para não ouví-lo? Justamente depois de você ter levado anos para aprender que “só consegue amar alguém quem ama a si mesmo” (adoro sabedoria popular). Não tô falando de ser idiota e correr atrás de pessoas que traem, por exemplo, mas de ter tolerância com os defeitos alheios mesmo quando seu auto-conhecimento grite pra você: “olha só, hein! Você sabe que não gosta disso! Foge enquanto é tempo!!”.
No fundo, isso tudo é uma opção pessoal. Mas é um saco as coisas não poderem ser simples. É um saco ter de ser blasé mesmo à contra-gosto e fugir para se proteger. E se eu disser alguma coisa verdadeira nessas 28397289137 linhas, eu digo isso: se o tempo nos deixa mais maduros, também não deixa infinitamente mais covardes.
Quem topa o risco de sofrer por alguém, levanta a mão. Ninguém? Ninguém?! É, ninguém.
Postado por loverox
Tags: amizade, amor, namoro, relacionamento





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