D.R., por favor.

qua

Eu sou do tipo de pessoa que gosta de falar. Adora falar, na verdade. Eu sempre penso que posso resolver uma briga, um problema, na conversa e isso geralmente é bom. Mas é claro que, unido à minha ansiedade, pode causar problemas, já que eu quase nunca tenho aquela calma necessária pra deixar a “cabeça esfriar”. Quero resolver falando, aqui, agora, já, porque o tempo vai e não volta, porque cada segundo que se vai é perdido e, meu deus, a gente não pode ficar bem logo, por favooor? Diz que tá tudo bem, diz? É, eu sou assim.

Com o tempo aprendi que às vezes temos que nos calar, afinal, silence is gold e algumas discussões saem do nada, levam à lugar nenhum e só prestam para ferir os envolvidos. Apesar de saber que é bom ouvir (e eu sou uma ouvinte prestativa e muito atenta), ainda sou a favor de termos bom senso e escolhermos não nos calar diante de algumas situações. Porque, na real, eu acho que todo mundo deveria discutir a relação (que daqui pra frente eu chamarei, carinhosamente, de D.R.). De verdade. Namorados, ficantes, amigos, família: se não há nada mais chato que ficar fazendo joguinho com o seu amado, por que raios seria legal fazer isso com, sei lá, seus melhores amigos? É, essas pessoas incríveis que não vão te deixar mesmo se você engordar 283723kg ou ficar com outro no BBB?

Geralmente amigos não discutem relação. Já vi muita gente aí que, se tivesse conversado, teria resolvido na boa. No entanto, foi melhor brincar de vingancinha ou deixar o circo pegar fogo pra ver até onde ia. Alguém tem que ceder e, orgulho, meus caros, é uma virtude que tem limite. Pode te levar a alguns lugares, mas geralmente te impede de chegar a todos os outros. Por isso, melhor que orgulho, acho que o importante é ter confiança e iniciativa para certas conversas que se fazem necessárias de vez em quando. Afinal, toda relação madura que se preze evolui e muda com o tempo, o que exige reflexão de ambas as partes.

Agora de que forma você vai fazer isso é outro problema. Nos tempos do colégio, a gente facilitava tudo: escrevia cartas de 7 folhas de fichário e entregava num envelopinho cheio de adesivos para a pessoa e tudo bem. Isso se você fosse mulher, claro. Os meninos costumavam ver o circo queimar, ou então, tinham uma D.R.zinha de 5 minutos, no melhor naipe “bróder pra bróder”, terminando com aquele tradicional semi-abracinho da ala masculina.

O tempo passou e, infelizmente, a internet virou um jeito fácil para se dizer o que é difícil falar pessoalmente. E, por favor, não compare o msn às minhas cartinhas da adolescência. Era muito mais íntimo e pessoal. E, em todo caso, dava uma margem maior pra reflexão tanto do remetente quanto do destinatário. O problema do maldito msn é que ele é um telefone piorado, pois nunca se tem a noção do tom da pessoa e o tempo pra pensar é mínimo. Então, simplesmente fica fácil dizer qualquer absurdo que vier a mente.

Eu tive causos esse ano que poderiam ter se resolvido com uma simples D.R. via telefone, mas perdemos esse hábito. Quando você se acostuma a manter contato com uma pessoa pela web, você acaba restringindo a relação – ou vai me dizer que, se não for urgência, você liga correndo para o seu amigo, mesmo sabendo que ele vai ficar online já já? Se você ligar, ponto pra você. Como eu não sou do tipo que “corre atrás”, acabo tomando iniciativas mais impessoais: mandar sms, deixar scrap, etc.

As iniciativas impessoais podem facilitar o contato, é claro. Tudo tem seu lado bom, fora a economia na conta telefônica, por exemplo. Com o MSN ao alcance dos seus dedos, fica mais fácil iniciar uma D.R. quando necessária, coisa que você poderia demorar eras pra fazer se tivesse de ir até a casa da pessoa ou mesmo telefonar. Mas… Eu estou escrevendo isso para pedir que as pessoas conversem, mas mais que isso, sejam próximas e evitem os mal-entendidos dessa comunicação moderna.

Não demorou muito para eu descobrir que não podemos basear nenhum tipo de relacionamento em conversas na web, que parecia tão amigável em unir pessoas. Vejo até que alguns problemas teriam sido tão facilmente resolvidos se minha atitude de “falar tanto” tivesse sido mais direta, objetiva e pessoal e eu tivesse telefonado quando a situação ficou chata. Lição aprendida.

Conversem. Discussões são enriquecedoras para qualquer tipo de relacionamento e estranhem se nunca tiverem uma briguinha com as pessoas mais próximas. A gente discute quando gosta das pessoas, quando quer cuidar delas, quando acha que poderia aconselhá-las a seguir outro caminho. Ter medo de discutir é uma coisa que não tenho mais e, se for para felicidade geral da nação, melhor discutir agora do que perder tudo depois…

Sou a favor da DR. Falo muito. Falo bastante. E tenho dito. :)

PS: Que bom que vocês curtiram minhas camisetas! :D Me perguntaram sobre preços da Zara no twitter. Então, só pra esclarecer, essas camisetas aí algumas foram na faixa de prçeo normal da loja (entre uns R$35 e R$60) e outras eu peguei na liquidação por, PASMEM, 19 contos. Então, gente, só posso dizer que o melhor evento de junho é, de fato, a liquida da Zara. No fim do ano tem mais! Estarei lá.

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23 comentários

  1. zander catta preta

    Vou lançar a campanha: “DR – ninguém merece!”

    beijo

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  2. Lore

    Ahhh Fê!!! Assino embaixo! Sou super a favor de DR’s, de passar as coisas a limpo, odeio ficar com a impressão de que não disse tudo e que não ouvi tudo (essa é a pior)! Para um bom relacionamento meia palavra não basta!!!

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  3. *Lusinha*

    Gostei muito dos seus pontos, porque concordo com a maioria deles. Sempre fui de querer conversar naquela hora, sem saber esperar o “esfriar a cabeça”, assim como você. Mas há males nesse tipo de atitude e um dos maiores é dizer coisas que não deveriam ser ditas e, pior ainda, ouvir coisas que a pessoa não diria se tivesse esfriado a cabeça. Dá um desespero, um nó no estômago, um “quero que isso acabe logo” não pare de latejar na cabeça, mas às vezes é melhor lutar com essa voz interna do que piorar a situação.
    Bjitos!

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  4. Ju Mary

    “Não demorou muito para eu descobrir que não podemos basear nenhum tipo de relacionamento em conversas na web, que parecia tão amigável em unir pessoas. Vejo até que alguns problemas teriam sido tão facilmente resolvidos se minha atitude de “falar tanto” tivesse sido mais direta, objetiva e pessoal e eu tivesse telefonado quando a situação ficou chata. Lição aprendida.”

    Nossa, passei por isso há pouco tempo. Depois ficou aquela situação: manda um email, deixa para lá… Passou tempo demais. Pensei: devia ter ligado!

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  5. Angélica

    tenho o mesmo defeito que você ‘vamos ficar de bem, vai?! diz que sim!’ só que, nem sempre as coisas podem ser resolvidas desse jeito! só neste ano, passei por situações (com a mesma pessoa) por diversas vezes mas, como tanto eu quanto ela temos o gênio muito forte, nunca conseguíamos bater de frente para conversar porque, ou uma ou outra cairia no choro… por isso, acabamos que resolvemos tudo pelo maldito MSN mesmo… ó___ò
    só que, vale frisar que, nossa situação não é como era antes… mal nos falamos… phoda, né?! acho que é orgulho ¬¬

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  6. Vivi

    Eu era ao contrário de vc: eu ficava quieta, nem falava nada. Mas ai eu quebrei tanto a cara que eu comecei a falar mais na cara rs. Claro que ás vezes é foda, mas na maioria das vezes acaba resolvendo.

    Sou totalmente a favor de D.R. seja com amigos, namorados, ficantes, família …

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  7. zander catta preta

    Meninas, uma dica: DR não.

    Conversar, óbvio, mas ficar debatendo o imponderável dá no saco de qualquer homem.

    beijos

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  8. Carol Kitty

    Também adoro falar tudo que eu penso sem problemas! Na cara dura e limpa mesmo. Sou totally á favor da DR. Se não tem DR, não tem relação. Tem que esclarecer tudo na hora sem mais nem mesmo! Porque depois que esfria a cabeça e a gente empurra com a barriga não da certo!
    Nossa, eu fiz tanta DR mês passado, rs.

    beijão ;*

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  9. Lecticia

    A gente só aprende que DR é importante do jeito mais dificil.

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  10. gabryell

    concordo com vc um bjao e me ad no msn

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  11. gabryell

    eu tbem gosto d teatro ; musicas e sou cinsero a ponto de falar as coisas na cara as coisas q esta me incomodado eu falo mesmo aaaa me ad ai gabryell_antonio@hotmail.com

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  12. Yasmin

    Realmente D.R.’s são ótimas para resolver problemas ou mesmo para tornar o contato mais íntimo.

    Adorei o texto, e a parte que mais me tocou foi:
    “Discussões são enriquecedoras para qualquer tipo de relacionamento e estranhem se nunca tiverem uma briguinha com as pessoas mais próximas. A gente discute quando gosta das pessoas, quando quer cuidar delas, quando acha que poderia aconselhá-las a seguir outro caminho.”
    Pode ter certeza que eu falaria exatamente igual.
    Beijo!

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  13. Camila

    Fê,
    uma marca de camisetas bem legal.
    http://www.chicorei.com.br/delivery/
    Beijos

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  14. Angélica

    fêêê, reparei que seu menu não funciona! a imagem do site a mais santinha fica por cima e, cobre os links dele!!! ó_ò

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  15. Vy

    Nossa, quando brigo com o naorado tb sou dessas q qr discutir a relação na hora! Se ele nào me atende nem aparece no msn lá se vão alguns e-mails! Mas eu nunca briguei com os meus amigos mais próximos, sei lá, eles são tão diferentes de mim mas a gente sempre acaba se entendendo. Mas também nunca entendi essa de ficar fazendo joguinho, vingancinha, etc. Fala logo, pow! Tào mais fácil…

    Bjos

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  16. Luana

    Olá! Estou participando de uma gincana do blog bananacraft.com/blog e preciso muito do seu voto na enquete de lá :D

    é só entrar em http://www.bananacraft.com/blog/promocoes/2008/08/10/quem-vai-levar-a-lola-pra-casa/#more-1457 e votar em Lu Missaggia! é bem fácil :}

    Muito obrigada! Beijos ?

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  17. Paula

    Eu sou exatamente assim, eu quero resolver tudo na hora, me sinto mau, parece que to perdendo tempo de vida com briguinhas que não levam a nada. DR sempre :)

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  18. Mattheus

    Ow minha querida, concordo com você tem que discutir mesmo, mas também ter noção do que discutir e quando discutir; namorei dois anos e tenho um filho com essa moça estou 4 meses longe dela e (karalho eu estou precisando de um desabafo) a gente discutia bastante resolveram algumas coisas já outras não, hoje estou sem ela e quero minha voltar com essa pessoa espero ter minha D.R’s com ela ainda.

    E é isso ae “D.R. OR DIE”

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  19. Tiago Andrade

    Desculpa a demora em responder, Fê…tô pesquisando preços de máquinas e tudo o mais, assim que conseguir abrir a camiseteria eu te aviso.

    Bjs!

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  20. Nigro

    Eu devo ser um dos únicos homens que conheço que curte/consegue/aceita um D.R numa boa. Isso agrega, ajuda a resolver (ou a criar) problemas. Faz parte de todo e qualquer relacionamento que pretende ser sadio, quase racional.

    Quando não por motivos muuuuito miúdos, eu sou a favor. Praticidade acima de tudo. Quando minha namorada (exemplo, afinal estou solteiro) me faz perguntas vagas do tipo ‘você gosta de mim?’ eu vejo uma possibilidade de trocar uma idéia mais profunda sobre as coisas. Nem sempre. Claro, o feeling conta muito…

    Homens, que geralmente tem menos tato com certas questões do relacionamento, chamam de frescura. Eu chamo de ‘gestão’ rsrsrs (mentira, eu não chamo de nada).

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