Jul
16
“Eu não gosto de teatro”
Convide as pessoas para ir ao teatro no sábado à noite. Muitas vão perguntar primeiro o preço. Outras vão querer saber qual “ator conhecido” está na peça. Por último, devem perguntar se é comédia. Mas, na pior das hipóteses, vão dizer: “ah, eu não gosto de teatro”.
Não estou aqui pra obrigar ninguém a gostar, meus caros. Até porque muita coisa não se põe num palco e, realmente, efeitos especiais de cinema são impossíveis de se obter ao vivo. E, obviamente, sou outra cinéfila de carteirinha, mas o que me enoja um pouco é ver gente por aí dizendo que “não gosta” sendo que não conhece.
Provavelmente todos nós tivemos alguma experiência com peças, nem que seja na escola, com teatro de marionetes. Aliás, acho tal iniciativa extremamente importante, até porque, para algumas pessoas, esta será a única vez na vida que terão contato com esse tipo de arte. Não só pela falta de abrangência natural que o teatro tem, já que ele é instantâneo e presencial, quanto pela desculpa do “preço”.
É claro que, se você for olhar bem, teatro custa caro mesmo, se formos comparar que podemos comprar ou alugar um dvd por R$5,00, ou baixar de graça. Mas se você é fã da boa e velha sala de cinema como eu, deve estar espantado com ingressos por aí custando $R20,00. Com esse preço, você consegue sim assistir boas peças e ainda presencia emoções ao vivo.
Sim, o cinema é mágico, é sensacional, eu também acho. Porém, há um diretor gritando ali no fundo para que os atores façam exatamente a coreografia que ele quer. Para quem não sabe, muitos filmes antigos eram dublados, inclusive do mestre Gláuber Rocha – tudo por conta dos comandos do diretor sobressaírem aos diálogos. Essa idéia de “dublar” o filme na pós-produção surgiu do próprio cinema italiano clássico, durante o movimento neo-realista. Em filmes como “Paisá” (1946), de Roberto Rosselini, é extremamente perceptível a dublagem. Recomendo a experiência!
Mas, voltando as emoções ao vivo: o SESC sempre oferece boas opções de teatro e que não são necessariamente “alternativas”, como costumam ser as peças de ingresso mais em conta, geralmente encenadas por companhias mais experimentais, que não visam o lucro como objetivo maior. Aproveitando o ensejo, darei uma dica do próprio SESC, onde estarei na sexta-feira à noite:
Dan Rosseto, ator, diretor e amigo meu, dividirá o palco com ninguém menos que Caco Ciocler em “O Imperador e Galileu“. A peça, inédita no Brasil, é de Henrik Ibsen e estréia sexta-feira, no SESC Santana em São Paulo, por apenas R$20,00. Veja maiores detalhes aqui.
Só lembrando: Ibsen é um dramaturgo dinamarquês que viveu entre 1828 e 1906 e hoje é considerado o pai do teatro moderno. A maior parte de sua obra apresenta uma visão crítica em relação à moral burguesa da época, mas nada de Nelson Rodrigues, aqui a coisa é diferente. Para Ibsen, o mais importante era falar da problemática gerada pela infra-estrutura capitalista e a sua influência no psicológico da época. Traduzindo? Desafio às autoridades e o direito de divórcio à mulher (antes mesmo do século XX).
Bom, acho que vale a pena largar o cinemão e ir até lá curtir uma boa montagem com direito até a ator famoso, não? Depois, se alguém me disser “mas eu não gosto de teatro!”, eu só vou entender se você também não gostar de cinema. Ou se o seu filme favorito tiver ganhado um Óscar de efeitos especiais, oká? :D
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1 – o curta que abre o filme é certamente um dos melhores já produzidos pela Pixar. Eu assisti todos, praticamente. Inclusive recomendo o dvd “Pixar Short Films”, que tá caro e só por isso eu ainda não comprei. :B



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