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Profissões fúteis?

Você leu o título e pensou: “Nossa! Como assim? Todas as profissões são importantes!”. Se você não pensou, você faz parte de um grupo de pessoas que eu conheci.

Véspera de vestibular. Você fica contente que já tem certeza sobre o que vai prestar, que carreira vai seguir e tudo o mais. Sai para almoçar com seus amigos depois de uma daquelas aulas preparatórias para o vestibular super-puxadas. No meio da conversa, como o assunto não poderia ser outro, vem a pergunta: “E você? Vai prestar o que?”. Você, toda orgulhosa, responde: cinema/rádio e tv/artes cênicas/música/artes plásticas (qualquer uma destas respostas se encaixa na questão). De repente, um silêncio e depois as respostas: “Aff, você vai morrer de fome”; “Nossa, que inútil!”; “Ai, você não acha que tem potencial demais pra jogar fora assim?” ou, a pior de todas: “Sério? E seus pais deixaram?”.

Assim, segue-se o famoso ditado de que “devemos trabalhar para ajudar a construir um mundo melhor”, logo, devemos ser: engenheiro, médico, advogado ou qualquer outra coisa tradicional, de lucro certo e que, supostamente, ajuda as pessoas. Agora, a minha pergunta: ter lucro certo é garantia de ajudar o próximo? Claro que não. Quantas pessoas estão sem casa, doentes e vítimas da injustiça? Isso prova que essas três profissões não estão com essa bola toda e porque as primeiras profissões não são fúteis.

Se você faz parte desse grupo de pessoas que ainda acha arte e afins desnecessários, ou que merecem apenas uma importância secundária, abra os seus olhinhos: se a maioria de nossos engenheiros, médicos e advogados tivessem um pouquinho mais de sensibilidade artística, nosso mundo seria melhor. Mais colorido. Mais divertido. Menos mercenário. Então, sem preconceitos com os seus amigos futuros artistas: afinal, eles fazem parte de uma minoria corajosa o suficiente para ir atrás do que quer e do que gosta, custe o que custar. Um conselho? Vá ao museu. Vá ao teatro. Assista um filme alternativo.

E, claro, se você também faz parte do grupo “fútil”, difunda essa idéia. Precisamos de mais futilidades no mundo, se (uma pena!) a arte for sempre considerada assim, tão fútil.


* Baseado em fatos reais, leia-se, minha vida, super “fútil”.

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